GuZ

Os problemas tecnológicos do Brasil.

Categoria(s): (Artigo, Bizarro) por GuZ em 23-04-2009

Tags :

stop

Infelizmente o povo jovem e o povo mais velho dificilmente se entendem, quando o assunto é tecnologia. Algumas pessoas ainda vivem na época que o Correio Eletrônico dava choque, e no ano 2000 navegaríamos no espaço com colônias de férias em Vênus ou Marte. E o pior, não fazem o mínimo esforço para mudar. No nosso caso, o caso da tecnologia, as pessoas tem preguiça ou medo. Não sei quantas vezes eu já digitei as senhas de cartões de banco que não eram meus aqui em Monteiro. Isso quando algumas pessoas não preferem guardar seu dinheiro em casa, com medo das tarifas bancárias, ou por pura falta de vontade de aprender a mexer naquelas maquininhas de grana.

Felizmente, algumas pessoas evoluem (minha mãe, com 55a joga Paciência Spider no computador, Tira fotos com o celular e usa e-mail para se comunicar), enquanto outras com menos idade (tenho um tio com uns 30 anos que não sabe tirar dinheiro no banco, nem usar celular). Tudo bem, é uma pessoa que mora no sítio, não tem muito contato com a cidade e conseqüentemente (tremar ou não tremar, eis a questão) com a tecnologia, mas quando vemos pessoas públicas, com dificuldades para entender a diferença entre um 486 e um Core 2 Duo, pessoas que deveriam lutar pela Ordem e Progresso, assumirem que baixam Mp3. Sim, estou falando dos políticos que nós elegemos, nossos deputados, senadores, prefeitos, vereadores e até o Presidente da República, causando uma grande demora para homologar projetos relacionados a tecnologias, que para eles podem parecer inúteis.

Falando nisso, vocês já repararam o quão demora para se instituir um padrão no Brasil? A TV Digital demorou bem uns 2.000 anos, O iPhone teve que esperar um século para ser homologado pela Anatel (e os Mp32973 entram no Brasil e vendem feito água), nossa internet Rápida é de 1Mb ou 2Mbps, e ainda custa mais caro do que nos outros países… Isso, em parte, é culpa de um jogo de interesses do governo (entenda: Burrocracia), somados a altos impostos. Juntamos toda este jogo de interesses, com impostos altos, e o comodismo do povo, nós temos o que temos: Custo Brasil alto, Corrupção, desigualdade social, violência, Windows Vista etc.

Isso acontece pois aqui no Brasil, não há um interesse político  em tecnologia (eletrônicos, gadgets e comunicação) tão grande como há no Japão e China, embora hajam vários investimentos em tecnologia agropecuária, em tecnologia ambiental, falta incentivo do governo para empresas nacionais de tecnologia também, tecnologias automotivas, empresas Brasileiras de Telefonia e Internet (a maioria é feita por capital estrangeiro. se eu não me engano só a OI é Brasileira) , mas nossos políticos ficam prestando atenção nas pesquisas agrícolas e esquecem de outras áreas que podem ajudar a agropecuária, mesmo que indiretamente.

Encaremos como o governo como uma grande empresa, a Microsoft. A Microsoft não precisa melhorar seu sistema, afinal ela é praticamente a única do mercado. Se o povo se acomoda com o Windows Vista, ela não iria lançar o Seven, afinal o povo usa assim mesmo. Com o governo não é diferente, se os impostos são altos, dane-se, o povo não tá reclamando mesmo. Ninguém protesta, ninguém faz nada, quer dizer, eu reclamo pra minha mãe, que reclama pra vizinha, que reclama pra tia dela… mas ninguém faz nada para mudar. Com os produtos é diferente: Se o Vista não agrada, a adoção dos usuários é menor, forçando a Microsoft a abaixar o preço ou melhorar o sistema.

Ainda podemos pensar no desenvolvimento meio que errôneo de certas regiões: Aqui no Nordeste se fala muito em agropecuária, no Sul (em SP) temos pólos de Tecnologia, fábricas de automóveis, televisores, celulares, sendo que o Clima de SP é mais propício para a Agropecuária do que no nordeste. Não seria mais lógico que se desenvolvesse o Nordeste com indústrias do que o Sudeste? Criando aqui uma Zona Franca do Semi-Árido, não seria uma boa idéia? Afinal, para que uma “Microsoft” precisa de tanta água quanto uma plantação de feijão ou arroz? Será que isso não aumentaria a produtividade? Na Amazônia, se instalariam centros de pesquisa e de preservação em locais estratégicos, assim ao mesmo tempo se pesquisavam novos remédios e fiscalizaríamos lenhadores ilegais, por exemplo. Concentrando as pessoas em locais geograficamente compativeis com suas funções, as pessoas irão obter mais conhecimento nas áreas que lhe convém e conseqüentemente vão se adaptar melhor às novas tecnologias.

Claro que a proposta das regiões não é algo que seja feito em 1 dia ou 1 ano, é algo que demora muito tempo para acontecer, mas se nunca começarmos, quando isso será realidade?

Mas o Governo prefere investir em programas como o Fome Zero, o Bolsa Família, que acabam acomodando as pessoas em um pensamento: “Eu sou pobre, o governo me dá dinheiro, eu não preciso mudar”. Na prática, é exatamente isso o que acontece (se algum filhinho de papai, aí de SP, quiser defender esses programas, convido-o para ver como ele funciona na prática aqui no Nordeste). Daí essas mesmas pessoas se acomodam na situação precária em que vivem, ou seja, o governo não tem tanta culpa assim.

Na educação, pior ainda, hoje não se pode corrigir nossos filhos nem com a famosa palmada corretiva, nem sequer falar mais alto com ele, pois teremos problemas com a justiça. Na escola, as crianças podem escrever errado, como “Fasil falar di min dificeu é cer eu”, pois a professora não pode corrigir para não constranger o aluno, além disso, ela entendeu o que o aluno quis dizer, então não deve corrigir. E ainda, temos nosso hipócrita programa de progressão automática, onde nossos alunos passam de ano obrigatoriamente (e querem expandir esse programa  às universidades. Como ficarão nossos médicos?!). Olhem o resultado nesta pesquisa no Google. Dá pra acreditar?

Nosso sistema Penal também contribui para isso. Enquanto num quartel, o soldado passa vários tipos de humilhação e desgastes físicos para ser disciplinado, numa cadeia o preso tem quase um tratamento de luxo: Come e bebe de graça, assiste TV, tem direito a banho de sol, e quando não tão contentes, basta fazer rebelião. Mas isso é assunto para outro post, de preferência no meu blog, onde abordo assuntos políticos com mais freqüência.

Além disso tudo, há o problema da “inclusão digital” que coloca computadores nas mãos de pessoas com pouco ou nenhum conhecimento da área, e não se investe em formação para professores de informática, quando não, colocam-se professores de outras áreas, que mal sabem operar seus próprios computadores para ministrar cursos de computação e ainda temos o programa OLPC (1 laptop por criança) quer distribuir notebooks para estudantes de escolas públicas, mas os professores, em sua maioria, não conseguem utilizar nem os materiais didáticos simples, quem dirá gerenciar computadores de alunos?

Agora você me pergunta, o que tudo isso tem a ver com os velhos e que não sabem usar caixas eletrônicos? Tudo! Se essa pessoa tivesse tido condições de crescer na área em que tem talento, teria dinheiro e poderia investir em educação, para ela ou para seus filhos, que iriam conseguir se integrar na tecnologia e levar um pouco desse conhecimento para seus pais. Além do mais, teríamos no poder pessoas mais capacitadas para criarem leis e normas mais adequadas do que as que temos hoje (veja o absurdo da lei dos call centers que exige que você seja atendido em dois minutos, embora seja boa para o consumidor, é quase impossível para as empresas terem tantos funcionários só para atender telefones).

Não sei se só eu tenho essa visão do País, mas acho que com um pouco de boa vontade, bom senso e principalmente a participação do povo poderemos construir um país melhor, não só para os GEEKs, mas para todos os habitantes do país utilizando a tecnologia em harmonia com a natureza e condições geográficas do país e ainda eu acredito que um plano como esse, aumentaria os indicadores socio-econômico-cultural das regiões do Brasil significativamente a longo prazo.

É certo que o Brasil tem crescido muito nos últimos anos e que precisamos crescer muito mais, de preferência, com um governo honesto e com uma população que se interesse em ver o Brasil crescer realmente (e não reclame do país incansavelmente).

Quer saber? não adianta nada eu publicar esse texto. Quem não tiver preguiça de ler, vai ler, balançar a cabeça e não vai fazer merda nenhuma… Mas minha consciência está tranquila. Faço a minha parte todos os dias (e farei algo mais ano que vem, aguardem!) Faça a sua!

Nenhum post relacionado.

Comentários:

Postar um comentário