Entrevista com Quintans
Categoria(s): (Bizarro) por GuZ em 13-06-2009
Tags : futuro, Paraíba, Política, Screencast, Tech
Sobre os problemas tecnológicos do Brasil, sobretudo das regiões menos favorecidas, entrevistamos o Deputado Estadual Assis Quintans, mas devido a problemas técnicos com nossa aparelhagem, apenas uma parte da entrevista foi gravada em Vídeo e a outra parte foi feita em áudio. Infelizmente a qualidade do áudio gravado não foi tão boa, mas nas próximas entrevistas esperamos ter um equipamento mais apropriado para a gravação.
Primeira Parte: Vídeo.
Como o áudio não ficou muito bom, eu transcrevi o mesmo para que vocês pudessem acompanhar a entrevista.
SEGUNDA PARTE DA ENTREVISTA (clique em mais para ler).
Guz: O Senhor já tem um blog ou ainda não?
Quintans: Não, eu não tenho blog, mas em breve estarei tendo esta oportunidade, tendo em vista que estou recebendo uma pressão muito grande dos meus amigos, começando por Simorion, começando pelo meu irmão. e outros amigos que têm ponderado neste sentido. Eu acho muito interessante, louvável, por que assim eu, como agente político, eu sou um servidor do povo, e é mais uma oportunidade que eu tenho de fazer prestação de contas das minhas ações, e receber sugestões, receber críticas que o homem público deve estar preparado para cumprir com o contraditório.
Guz: A gente vê que a maioria das pessoas públicas gostam mais de receber elogios do que críticas e eu acabo de perceber que esse não é bem o seu estilo.
Quintans: Mas é lamentável por que em democracias não podemos conviver só com um lado. A democracia é oposição, a oposição é essencial dentro do sistema democrático, só assim podemos ver uma avaliação, quer seja pelo governo estadual, quer seja pelo Presidente da República ou qualquer agente político.
Guz: Deputado, hoje em dia temos muita informação, e a gente pode colocar isso de diversas formas, blogs, sites, jornais. O Senhor criando o seu blog, teremos, por exemplo, um sistema de contato com o Leitor, o usuário?
Quintans: Lógico! Eu tenho que dar retorno. Criar um blog para você enviar uma mensagem para mim, quer seja criticando, quer seja elogiando, quer seja sugerindo e eu não der um retorno e não tiver essa eficiência, é melhor eu não ter blog.
Guz: Outro assunto é a Lei Azeredo, que pretende observar o conteúdo das informações trocadas entre os usuários da Internet, seria uma espécie de uma invasão de privacidade, o que o Sr acha desta lei?
Quintans: Eu vejo na Internet um objetivo de contribuir com o desenvolvimento, agora estão querendo descaracterizar o objetivo maior porque na hora que esta tecnologia cresceu e se ampliou foi para contribuir para o crescimento, agora ficam utilizando esta oportunidade exemplar, essa ferramenta que tem uma dimensão exemplar para fins que não são aconselháveis para a sociedade.
Guz: vamos mudar um pouco de assunto, Carga tributária
Quintans: ótimo
Guz: Hoje em dia, um computador que custa nos EUA uns 200 dólares e chega aqui por uns 300 dólares , a gente acaba pagando mais 300 dolares a mais de impostos, e o produto acaba sendo retributada. O que o senhor acha que a classe política deveria fazer para melhorar esta situação.
Quintas: Eu sou agente político, vou ser até um pouco grosseiro com esta minha afirmação.
A classe política, principalmente os Deputados Federais e Senadores do país, e o Governo Federal, que é o maior beneficiado pela arrecadação de impostos, não estão tendo a coragem de fazer uma reforma tributária. No próximo ano – 2010 que é um ano de eleição- eles [os candidatos] vão pregar que vão diminuir impostos para conseguir adesão da população e votos. Quando são eleitos e chegam em Brasília eles modificam totalmente o seu comportamento, o seu perfil, e a sua maneira de atuação. Eu tenho esperança de que nós vamos presenciar duas coisas ainda neste país: 1- uma reforma tributária profunda. Na hora em que você [o governo ] diminuir os impostos, as empresas terão condições de investir e ampliar seus investimentos, gerar empregos e melhorar as condições de vida da população.
Guz: ou seja, reacadando os impostos perdidos?
Quintans: Não, o governo, não vai ter declínio na arrecadação, agora, até hoje eu não entendi porque essa carga tributária tão exagerada que o Governo continua preservando. Agora há um outro assunto que não está em pauta, mas eu gostaria de evidenciar, que é uma política equivocada de financiamento rural que existe para o semi-árido nordestino. É uma situação lamentável que os produtores rurais que vivem inseridos nos bolsões secos onde não se pode irrigar, onde vivem simplesmente das poucas vocações que têm, convivem com juros exorbitantes, nós ja tivemos em épocas em que os juros eram mais caros aqui na região do cariri do que em regiões como Sul, e Centro-oeste, quer dizer isto é paradoxal, pois em toda região semi-árida ida do mundo existe uma política de impostos que é compatível com as necessidades do povo humilde. Até hoje, a clásse política, os Deputados Federais, Senadores e o Governo Federal, não tiveram coragem de implantar uma política de financiamento rural para o Semi-árido nordestino e em outras regiões do mundo, já existe uma linha de crédito especial. Mas eu tenho esperança de que com a renovação, com a juventude, melhorando o nível educacional, se possa modificar os agentes políticos para que cheguem em Brasília os agentes políticos mais comprometidos com os problemas do Estado, dos estados e do Brasil.
Guz: O Semi-árido nordestino tem uma grande dificuldade para pecuária e algumas empresas não tem tanta demanda por água quanto a agricultura e pecuária. Não seria viável investir em outros ramos de economia para esta região, como uma fábrica de computadores, janelas, ou algo do tipo?
Quintans: Aqui é um ambiente fértil à uma indústria seca, não a indústria da seca, uma indústria seca, como você citou o ramo de computação e outro ramo de confecções, e é razão que eu vivo lutando para fazer a integração do polo de confecção de Santa Cruz com a região do Cariri, quando estamos lutando pela pavimentação do segmento rodoviário que liga Sumé/congo até Jataúba (PE, divisa com PB).
O Brasil é um país riquissimo, quando melhorarmos o nível educacional da população, não tem quem segure este país. Os outros países não tem mais como expandir as fronteiras agrícolas. Os EUA, a India, a China, a UE, não tem mais o que ampliar, só quem tem área para ampliar fronteiras para produzir alimentos para o povo é o Brasil e a África. Hoje o Brasil cria gado onde pode se produzir alimentos, e no futuro a pecuária virá para o Semi árido. Isso aqui [o semi-árido] é para produzir pecuária, e outras atividades que não necessitemde tanta água. Agora, não posso deixar de evidenciar que vamos ter nichos diferentes em áreas pequenas que vamos irrigarmos. Em 2012 nós vamos ter água do Rio São Francisco para beber - humanos e animais, e esse potencial hídrico que temos nos nossos mananciais, nós temos que transformar isso em alimentos, por isso estamos pedindo a identificação das áreas que são aptas a irrigação, mas a irrigação racional, que é aquela por gotejamento, por aspersão e não aquela por inundação das áreas
Guz: Para encerrar, o Sr tem alguma mensagem para dar para o jovem, para os GEEKs e para as pessoas que já perderam a esperança no Brasil e nos políticos?
Quintans: Eu espero dos jovens do Cariri e da Paraíba que procurem fazer uma corrente e uma campanha de conscientização que estimulem os jovens a estudarem. Não existe maior patrimonio do que o conhecimento, assim, faço um apelo na epoca da UVA, na época da UEPB, e agora na UFCG, fazendo um apelo para a juventude se inscrever e participar do Vestibular porque no passado só se estudava, aqui na região, quem fosse filho de prefeito, de comerciantes, de fazendeiros ou de agiotas, os outros não tinham acesso a nível superior, hoje somos privilegiados nesse sentido. Todos nós podemos ter acesso á nível superior, O mesmo farei para o CEFET, e continuarei fazendo pela UEPB, pois tudo que sou hoje, eu só tenho a agradecer a EDUCAÇÃO. E com relação aos agentes políticos, eu compreendo a juventude ter um certo sentimento de revolta, mas eles procurem verificar na mensagem do agente político se essa mensagem se coaduna com a realidade que ele executa. Se ele foi um administrador, se ele teve suas contas aprovadas no Tribunal de Contas, se ele é um Agente Político e tem processos na justiça, assim são vários os fatores que antes de o jovem votar, eles precisam fazer uma análise da postura que ele tem com sua região.
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